Google: o sonho acabou?

Há alguns anos o nome Google é ligado a expressões positivas. Para uns é sinônimo de sucesso, para outros de prosperidade e até mesmo alegria. Afinal, não é comum ver uma empresa – relativamente nova, diga-se de passagem – quebrar tantos paradigmas e se posicionar com uma imagem tão sólida quanto carismática. A Microsoft pode ser lembrada por ser líder no seu segmento e ser responsável por colocar Bill Gates algumas vezes no topo da lista dos homens mais ricos do mundo, assim como a Apple é lembrada por seu poder de gerar fanáticos em torno de uma marca e estar sempre na vanguarda. Mas o Google tem os dois lados da moeda. Pelo menos tinha.

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Talvez não tenha sido tão surpreendente quando a companhia começou a anunciar seus “ajustes” para enfrentar a crise mundial, já que estávamos nos acostumando a notícias parecidas vindas de muitas empresas de informática e outros setores. Mas mesmo assim, talvez porque não quiséssemos imaginar a crise para o Google na tentativa de manter o sonho de empresa perfeita intacto, não esperávamos que o gigante fosse afetado.

Começou com os rumores de que o Google estaria cortando algumas regalias (ou seria luxo?) dos funcionários em grandes sedes como Nova York e até a de Mountain View. Já no final do ano passado, a companhia anunciou o cancelamento de contratos temporários e no início deste ano reduziu bastante a sua equipe de recrutamento, já que segundo a própria companhia, o volume de novas contratações não era mais o mesmo. Para completar, o blog TechCrunch divulgou, semana passada, e-mails de ex-funcionários que não se sentiam tão satisfeitos em trabalhar na empresa modelo; e a caída no ranking da Forbes de 1º para 4º posto das melhores empresas para se trabalhar parece ter oficialmente acabado com uma era.

Até mesmo as famosas “super compras” do Google ficaram estagnadas e o que vimos nas últimas semanas foi uma sucessão de descontinuidade de produtos que não traziam retorno financeiro para a companhia, ou não fizeram tanto sucesso com os usuários. O próprio Orkut, o queridinho dos brasileiros (só dos brasileiros e dos indianos) continua como patinho feio, vendo seu aniversário de 5 anos passar praticamente em branco. Nem é tão difícil de entender, mesmo com a recente adição de publicidade, o site ainda não dá dinheiro suficiente ao Google.

O que dá dinheiro mesmo (e muito) continua sendo a dupla Adsense-Adwords e é por isso que o Google está cada vez mais atento em garantir que a fórmula continue dando certo. Posts nos blogs oficiais da companhia com tutoriais e dicas sobre os dois programas nunca faltaram e parecem que estão longe de acabar. Em tempos de crise, o Google tem justamente o que as empresas estam precisando: meios baratos e eficazes de divulgar sua marca para um público mais segmentado.

Eu particularmente não gosto desse clima alarmante, como se a crise mundial fosse um daqueles filmes de Hollywood em que um desastre vai acabar com a terra em poucos dias, mas precisamos encarar os fatos: há reflexos negativos em grandes empresas, vide Microsoft e Intel. E mesmo que no Brasil ainda não tenhamos sido afetados diretamente, não dá para ver os acontecimentos isoladamente.

Então o que fazemos? Entramos em desespero? Não. Acho que a fórmula está aí na nossa frente. Quando uma crise toma grandes proporções, muitos segmentos são ameaçados, mas SEMPRE aparecem novas oportunidades. E para mim o caminho é o mesmo que o Google está seguindo: as novas mídias e principalmente, novas formas de publicidade. Não é novidade que a publicidade online veio também para quebrar paradigmas e abrir novos horizontes. É ainda muito mais barata que as mídias tradicionais e oferece um controle e um direcionamento das ações indispensáveis em tempos difíceis, quando temos que medir bem nossos gastos.

A descontinuidade do Google Print Ads indica o caminho. Já não acreditamos mais que a publicidade tradicional (nem os meios tradicionais) vai acabar, mas mais do que nunca precisamos apostar no meio online e confiar que temos oportunidades e ferramentas suficientes para superar os tempos de crise.

Agora, respondendo: o sonho acabou? Não. Talvez a fase não seja a melhor, mas o Google tem vários projetos – além da dupla Adsense-Adwords – que prometem garantir sua hegemonia na internet e em móveis. Novas idéias estão sempre surgindo e, na maioria dos casos, elas dão bons retornos para a companhia. Resta a nós seguir o exemplo.

Fonte: UnderGoogle
Escrito por: Luciana Couto

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